Como o árabe levantino empacota o significado
Gramática do árabe levantino setentrional num relance
Em resumo
| Tipo de informação | Pergunta simples | Como árabe levantino setentrional codifica isso |
|---|---|---|
| Ator | Quem realiza a ação? | SUFIXOPREFIXO |
| Recipiente | Quem ou o que recebe a ação? | ORDEM DAS PALAVRASSUFIXO |
| Tempo | Quando a ação acontece? | ALTERNÂNCIAPREFIXOPALAVRA SEPARADA |
| Aspecto | Ação concluída ou ainda em andamento? | ALTERNÂNCIAPREFIXOPALAVRA SEPARADA |
| Certeza / modo | Fato real, ou desejado / possível / hipotético? | PALAVRA SEPARADA |
| Negação | Não aconteceu? | PALAVRA SEPARADA |
| Voz | O sujeito está fazendo, recebendo ou causando? | PREFIXOALTERNÂNCIA |
| Evidencialidade | Como o falante sabe disso? | CONTEXTO |
| Especificidade | Este em particular, ou qualquer um? | PREFIXOPALAVRA SEPARADA |
| Quantidade | Quantos? | SUFIXOALTERNÂNCIA |
| Posse | De quem é? | SUFIXOPALAVRA SEPARADA |
| Localização / Espaço | Onde? Em que direção? | PALAVRA SEPARADA |
| Estrutura informacional | Sobre o que é esta frase? O que é novo? | ORDEM DAS PALAVRAS |
| Registro | Que relação social o falante codifica? | CONTEXTO |
Como se compara
No perfeito (passado), uma única forma verbal codifica simultaneamente ator, tempo (passado) e aspecto (completado). O padrão vocálico do radical diz "ação passada completada" e o sufixo diz quem a fez — mude um e tudo se desloca.
O padrão vocálico do radical (a-a em katab) é inseparável do significado de passado. Não é possível simplesmente trocar por um sufixo de "presente" — o radical inteiro deve mudar para o padrão de imperfeito (yi-ktob) para significados não-passados.
Em detalhe
Ator in árabe levantino setentrional — Quem realiza a ação?
No passado, um sufixo no verbo identifica o ator. No presente e no futuro, um prefixo (e às vezes também um sufixo) faz o mesmo trabalho. Os pronomes sujeito são opcionais e geralmente omitidos.
Os pronomes sujeito (ana, inta, inti, huwwe, hiyye, niḥna/iḥna, intu, hinne/hunne) são normalmente omitidos — o prefixo/sufixo do verbo identifica quem age. "Katabt" é completo; "Ana katabt" adiciona ênfase ou contraste.
No passado (perfeito), a pessoa é marcada apenas por sufixos. No presente/futuro (imperfeito), a pessoa é marcada por prefixos, e algumas pessoas também recebem um sufixo: b-yi-ktob-u (3PL) tem tanto o prefixo yi- quanto o sufixo -u.
A primeira pessoa do plural usa mn- em vez de b- no presente: "mniktob" (nós escrevemos) vs. "baktob" (eu escrevo). Esta é uma característica distintiva do árabe levantino.
O árabe levantino distingue masculino e feminino na 2ª e 3ª pessoa do singular (inta/inti, huwwe/hiyye), mas usa uma forma única para a 2ª e 3ª pessoa do plural (intu, hinne). O número dual do árabe padrão moderno foi quase totalmente eliminado — formas plurais são usadas em seu lugar.
Compare: o inglês exige um pronome separado — "I write", "he writes". O árabe egípcio usa uma divisão prefixo/sufixo semelhante, mas com bi- (não b-) e a- (não a-) para o presente. O árabe levantino usa exclusivamente mn- para "nós" no presente.
Recipiente in árabe levantino setentrional — Quem ou o que recebe a ação?
A ordem das palavras (SVO) identifica o objeto direto. Pronomes objetos são sufixados diretamente ao verbo. Objetos indiretos usam a preposição la- (para).
Pronomes objetos ligam-se diretamente ao verbo como sufixos: -ni (me), -ak (você.M), -ek/-ik (você.F), -o (o), -ha (a), -na (nos), -kon (vocês.PL), -on/-hun (os/as). "Shofto" = ver-1SG-o = Eu o vi.
Quando aparecem tanto pronomes objetos diretos quanto indiretos, eles se acumulam no verbo.
O árabe levantino não possui sistema de caso — ao contrário do MSA, os substantivos nunca mudam de forma com base em seu papel gramatical. A ordem das palavras e as preposições fazem todo o trabalho.
Não existe "a" pessoal como em espanhol. Todos os objetos, humanos ou inanimados, são tratados da mesma forma sintaticamente.
Compare: o turco usa sufixos de caso nos substantivos (acusativo -ı em objetos específicos). O russo usa seis terminações de caso. O árabe levantino depende inteiramente da ordem das palavras e de preposições — nenhum substantivo jamais muda de forma por função gramatical.
Tempo in árabe levantino setentrional — Quando a ação acontece?
Dois radicais verbais — o radical perfeito (passado) e o radical imperfeito (não-passado) — são a base. O prefixo b- no imperfeito cria o presente habitual, e raḥ antes dele marca o futuro.
Os dois radicais verbais diferem em seus padrões vocálicos: katab (perfeito = passado) vs. yiktob (imperfeito = não-passado). A raiz consonantal k-t-b permanece a mesma — apenas as vogais mudam. Essa alternação interna É a marcação de tempo.
O prefixo b- cria o tempo presente cotidiano (habitual/progressivo). Sem b-, o imperfeito nu é usado apenas em contextos específicos: após modais (lāzim, mumkin), após raḥ, após ʕam, e em orações de propósito.
O árabe levantino usa raḥ (de rāyiḥ "indo") como uma palavra separada para o futuro, ao contrário do árabe egípcio que prefixa ha- diretamente ao verbo. Após raḥ, o prefixo b- cai: "raḥ aktob" (eu escreverei), não *"raḥ baktob".
O auxiliar kēn (passado de "ser/estar") combina com b-imperfeito para o passado habitual: "kēn byiktob" (ele costumava escrever).
Compare: o árabe egípcio marca o futuro com um prefixo ha- fundido ao verbo. O árabe levantino usa uma palavra separada raḥ antes do imperfeito nu — uma abordagem mais analítica. Ambos compartilham a alternância de radical perfeito/imperfeito para passado vs. não-passado.
Aspecto in árabe levantino setentrional — Ação concluída ou ainda em andamento?
O radical perfeito marca ações completadas. O b-imperfeito marca ações habituais ou contínuas. O progressivo ʕam/ʕammāl + imperfeito nu marca ações em andamento agora. O particípio ativo funciona como um presente resultativo.
O marcador progressivo ʕam (ou ʕammāl em alguns dialetos) + imperfeito nu (sem prefixo b-) sinaliza uma ação acontecendo agora: "ʕam yiktob" (ele está escrevendo neste momento) vs. "byiktob" (ele escreve em geral).
O particípio ativo (padrão fāʕiC) descreve um estado atual resultante de uma ação: "ana lēbis badle" (estou vestindo um terno — agora) vs. "balbis badle" (visto ternos — habitual).
Particípios ativos comuns com força verbal: rāyiḥ (indo), jēy (vindo), ʕārif (sabendo), fēhim (entendendo), nēzil (descendo), sēkin (morando em), ṭēliʕ (subindo).
O particípio ativo concorda em gênero e número: rāyiḥ (m.sg.), rāyḥa (f.sg.), rāyḥīn (pl.).
Compare: o espanhol distingue completado vs. contínuo no passado (pretérito vs. imperfeito). O árabe egípcio usa a mesma divisão perfeito/imperfeito e também tem o particípio ativo. O árabe levantino adiciona o marcador progressivo ʕam, criando uma distinção tripla no presente: habitual (b-imperfeito) / progressivo (ʕam + imperfeito) / estativo (particípio).
Certeza / modo in árabe levantino setentrional — Fato real, ou desejado / possível / hipotético?
Palavras modais (lāzim, mumkin, biddo) precedem o verbo no imperfeito nu. Condicionais usam law/iza + tempo passado. Não existe modo subjuntivo — o árabe levantino usa modais e partículas condicionais em seu lugar.
O árabe levantino não possui modo subjuntivo. Onde o espanhol usa subjuntivo após verbos de desejo ("Quiero que escribas"), o árabe levantino usa uma palavra modal + imperfeito nu: "biddi aktob" (quero escrever.1SG = quero escrever).
Após modais (lāzim, mumkin, biddo, ʔādir) e após o primeiro verbo no presente em uma sequência, o prefixo b- cai: "lāzim aktob" (devo escrever), não *"lāzim baktob".
Orações condicionais usam "law" (se) + verbo no passado — mesmo quando o significado é presente ou futuro: "law katabt bukra..." (se eu escrever amanhã — literalmente "se eu escrevi amanhã"). "Iza" é usado para condições reais/prováveis.
"Biddo" (querer) é único — recebe sufixos possessivos: biddi (quero), biddak (você.m quer), biddik (você.f quer), biddo (ele quer), biddha (ela quer), biddna (nós queremos), biddkon (vocês.pl querem), biddon (eles querem). Comporta-se como um pseudo-verbo.
Comandos usam uma forma imperativa distinta: ktob! (escreva! m.sg.), ktobi! (escreva! f.sg.), ktobu! (escrevam! pl.).
Compare: o espanhol tem um elaborado sistema de subjuntivo com terminações verbais dedicadas. O árabe egípcio usa a mesma abordagem de palavra modal, mas com ʕaayiz (querendo) em vez de biddo. O biddo do levantino é distintivo — um pseudo-verbo que recebe sufixos possessivos em vez de conjugar como um verbo normal.
Negação in árabe levantino setentrional — Não aconteceu?
A partícula mā precede o verbo para negação verbal. No levante sul (palestino, jordaniano), um sufixo opcional -sh pode ser adicionado para ênfase. Orações não-verbais usam mish (ou mū em árabe sírio).
Duas palavras de negação com uma divisão clara: mā nega verbos e algumas palavras semelhantes a verbos (biddo, ʕindo, maʕo, fī), enquanto mish/mū nega todo o resto (adjetivos, substantivos, particípios, particípios ativos).
No levante sul (palestino, jordaniano), o sufixo -sh pode opcionalmente reforçar mā: "mā baʕrifsh" (eu não sei). Este sufixo também se funde com fī → "fīsh" (não há) e ʕindi → "ʕindīsh" (não tenho). Em alguns falares palestinos, -sh sozinho pode negar sem mā.
O árabe sírio usa مو (mū) em vez de مش (mish) para negação não-verbal: "mū mabsūṭ" (não feliz). Todos os sub-dialetos aceitam مش.
O levante norte tem uma forma de cópula negativa: مانّ- (mānn-) + sufixo pronominal: "mānni ʕāyze" (eu [f.] não preciso/quero).
Comandos negativos: "mā tiktob!" (não escreva!) — mā antes do imperfeito nu. No levante sul: "mā tiktobsh!" com o sufixo -sh.
Compare: o árabe egípcio envolve os verbos em um circunfixo ma-...-sh (duas metades obrigatórias). O árabe levantino usa principalmente mā como uma única partícula pré-verbal — o sufixo -sh é opcional e dialetalmente restrito. Isso torna a negação levantina mais analítica que a do árabe egípcio.
Voz in árabe levantino setentrional — O sujeito está fazendo, recebendo ou causando?
A passiva usa um prefixo n-/in- ou t-/it- no verbo. A causativa usa a Forma II (dobrando a consoante medial da raiz). O sistema de raiz-e-padrão significa que as mudanças de voz alteram a estrutura interna da palavra.
As formas verbais derivadas (Formas II–X) codificam diferentes relações de voz e significado por meio de modificações sistemáticas da raiz: a Forma II dobra a consoante medial (causativa/intensiva), a Forma V adiciona it- à Forma II (reflexiva da causativa), a Forma VII adiciona in- (passiva/incoativa), a Forma VIII insere -t- após a primeira consoante (voz média), a Forma X adiciona ista- (requestativa).
Ao contrário do MSA, o árabe levantino raramente usa a passiva interna por mudança vocálica. O sistema de prefixos it-/in- é produtivo em seu lugar.
A Forma IV (a causativa do MSA com prefixo a-) é rara no árabe levantino — a Forma II assumiu em grande parte suas funções.
A reflexiva é tipicamente formada com a Forma V (it- + consoante dobrada): tʕallam (ele aprendeu / ensinou a si mesmo), tkallam (ele falou).
Compare: o turco empilha causativo (-dır) e passivo (-ıl) como sufixos limpos. O espanhol usa verbos auxiliares separados para passivas ("fue escrita"). O árabe levantino modifica a própria raiz — dobrando uma consoante para o causativo, ou adicionando um prefixo para a passiva — alterando a estrutura interna da palavra.
Evidencialidade in árabe levantino setentrional — Como o falante sabe disso?
Não codificada gramaticalmente — o árabe levantino nunca exige que você sinalize como sabe algo. Expressões opcionais como "izzāhir" (aparentemente) ou "biʔūlu" (dizem) acrescentam sabor evidencial quando desejado.
O árabe levantino, como a maioria das variedades árabes e línguas europeias, não possui evidencialidade gramatical — você nunca é forçado a marcar como sabe algo.
Expressões evidenciais opcionais incluem: "izzāhir" (aparentemente), "biʔūlu" (dizem / supostamente), "yaʕni" (quero dizer / isto é — funciona como um atenuador).
A partícula discursiva "yaʕni" (literalmente "significa") pode suavizar afirmações e introduzir reformulações, mas não é um verdadeiro marcador evidencial.
Compare: o turco exige gramaticalmente escolher entre -dı (testemunhado) e -mış (relatado/inferido) em toda afirmação no passado. O árabe levantino não tem tal exigência — "katab" (ele escreveu) não diz nada sobre se o falante testemunhou ou ouviu falar.
Especificidade in árabe levantino setentrional — Este em particular, ou qualquer um?
O prefixo il-/l- (o artigo definido) se liga ao substantivo para referência definida. Substantivos nus são indefinidos — não existe artigo indefinido. Demonstrativos pré-nominais (hayda/hayde/hawde) adicionam mais especificidade.
O artigo definido il- sofre assimilação com "letras solares" — consoantes articuladas perto do mesmo ponto: "ish-shams" (o sol), "in-nār" (o fogo), "is-samak" (o peixe), mas "il-ktēb" (o livro), "il-walad" (o menino).
O árabe levantino não tem artigo indefinido — substantivos nus são indefinidos. Não existe tanwiin (nunação) como no MSA.
Demonstrativos: proximal hayda (m.), hayde (f.), hawde (pl.); distal hadāk/hidēk (m.), hadīk/haydīk (f.), hadōk/hawdīk (pl.). As formas variam entre sub-dialetos.
Demonstrativos também funcionam como pronomes independentes: "hayda ktēb" (isto é um livro), "hayde ḥilwe" (esta/ela é bonita).
O prefixo demonstrativo imediato ha- (sem gênero) pode se ligar a substantivos para referência rápida: "ha-l-ktēb" (este/o livro aqui).
Compare: o espanhol tem artigos definido e indefinido separados (el/un), ambos concordando em gênero e número. O árabe egípcio tem demonstrativos pós-nominais (il-kitaab da), enquanto o árabe levantino coloca demonstrativos ANTES do substantivo (hayda il-ktēb).
Quantidade in árabe levantino setentrional — Quantos?
Duas estratégias paralelas: plurais sons adicionam um sufixo (-āt para feminino, -īn para masculino), enquanto plurais quebrados reorganizam as vogais dentro da raiz. Muitos substantivos comuns usam plurais quebrados que devem ser memorizados. O dual do MSA está em grande parte extinto.
Plurais quebrados são o padrão mais comum para substantivos árabes nativos. A raiz consonantal permanece fixa enquanto o padrão vocálico muda: ktēb → kutub, bēt → buyūt, kalb → klēb.
Plurais sonoros femininos (-āt) são usados para a maioria dos substantivos femininos e para empréstimos: sayyāra → sayyārāt (carros), tilifizyōn → tilifizyōnāt (televisões).
Plurais sonoros masculinos (-īn) são usados principalmente para substantivos ocupacionais e particípios ativos: muʕallim → muʕallmīn (professores), muhandis → muhandsīn (engenheiros).
O número dual do MSA (sufixo -ēn) sobrevive apenas para partes do corpo (ʕēnēn "dois olhos", ījēn/rjilēn "dois pés/pemas") e algumas expressões de tempo (yōmēn "dois dias", sēʕtēn "duas horas"). Caso contrário, os falantes usam "tintēn/itnēn + substantivo plural".
Adjetivos concordam em número com seu substantivo: walad kbīr (menino grande), wlēd kbār (meninos grandes).
Compare: o inglês adiciona -s para quase todos os plurais. O turco adiciona -lar/-ler. O árabe levantino tem um sistema dividido — alguns substantivos recebem um sufixo (plurais sonoros), enquanto muitos outros reorganizam suas vogais internas (plurais quebrados). O dual do MSA está quase extinto no levantino, ao contrário do MSA onde é totalmente produtivo.
Posse in árabe levantino setentrional — De quem é?
Três estratégias: um sufixo possessivo no substantivo (ktēbi = meu livro), um estado constructo justapondo dois substantivos (ktēb il-muʕallim = o livro do professor), ou um conector analítico tabaʕ (il-ktēb tabaʕi = meu livro).
Sufixos possessivos: -i (meu), -ak (seu.M), -ek/-ik (sua.F), -o (dele), -ha (dela), -na (nosso), -kon (seu.PL), -on/-hun (deles). Após consoantes, uma vogal de ligação pode aparecer.
O estado constructo (iḍāfe) justapõe possuído + possuidor. O primeiro substantivo perde seu artigo definido; o segundo determina a definitude: "bēt il-muʕallim" (a casa do professor), "bēt muʕallim" (a casa de um professor).
O feminino -e no primeiro substantivo de um constructo torna-se -it/-et: "siyyārit aḥmad" (o carro de Ahmad), "ḥikāyit il-film" (a história do filme).
"Tabaʕ" concorda em gênero e número: tabaʕ (m.sg.), tabaʕit (f.sg.), tabaʕūn (pl.). É uma alternativa ao estado constructo, especialmente para ênfase ou clareza. Partes do corpo ainda favorecem o sufixo: "ʕēni" (meus olhos), "ijrēk" (suas pernas).
A posse predicativa usa il- + sufixo: "il-ktēb ili" (o livro é meu), "il-ktēb ilak" (o livro é seu.m.).
Compare: o árabe egípcio usa bitaaʕ como seu conector possessivo analítico. O árabe levantino usa tabaʕ em seu lugar — mesma função, palavra diferente. Ambos também compartilham as estratégias de sufixo e estado constructo. O espanhol usa "de + substantivo" (el libro de María).
Localização / Espaço in árabe levantino setentrional — Onde? Em que direção?
Preposições antes do substantivo: bi-/fi (em), ʕala (sobre), min (de), la- (para). Não há sufixos de caso nos substantivos — as preposições sozinhas carregam todo o significado espacial.
Preposições espaciais comuns: bi/fi (em), ʕala (sobre), min (de), la- (para), maʕ (com), ʔuddēm (na frente de), wara (atrás), taḥt (embaixo de), fōʔ (acima de), ḥad/janb (ao lado de), bēn (entre).
Preposições recebem sufixos pronominais: fīha (nela.F), minni (de mim), ʕalēk (em você.M), maʕi (comigo). Estes são o mesmo conjunto de sufixos usado para posse e objetos verbais.
Construções existenciais usam "fī" (há/existe): "fī ḥada hōn" (há alguém aqui). Negado: "mā fī ḥada" (não há ninguém), ou no levante sul: "fīsh ḥada".
A preposição ʕind (perto de) com sufixos pronominais expressa "ter": "ʕindi sayyāra" (eu tenho um carro — literalmente "perto-de-mim um carro"). Esta é a construção padrão de posse para "ter".
Compare: o turco usa sufixos de caso no substantivo (locativo -da, dativo -a, ablativo -dan) — não são necessárias preposições. O árabe levantino, como o espanhol, usa preposições ANTES do substantivo — "bi sh-shām" (em Damasco) espelha o espanhol "en Madrid".
Estrutura informacional in árabe levantino setentrional — Sobre o que é esta frase? O que é novo?
A deslocação à esquerda move o tópico para o início da frase, muitas vezes retomado por um pronome depois. Palavras interrogativas podem aparecer no início ou no final da frase. O pronome relativo invariável yalli/illi é usado em construções clivadas para foco explícito.
A deslocação à esquerda (antepor um sintagma nominal e retomá-lo com um pronome) é muito comum: "il-muʕallim, ana shofto mbēriḥ" (o professor — eu o vi ontem). O pronome resuntivo (-o/-ha) é obrigatório quando o elemento deslocado não é o sujeito.
Palavras interrogativas (mīn "quem", shū "o que", wēn "onde", lēsh "por que", kīf "como", ēmta "quando", addēsh "quanto") podem aparecer no início ou no final da frase. Final da frase é mais natural na fala cotidiana: "rāyiḥ wēn?" (indo onde?), "biddak shū?" (quer o quê?).
O pronome relativo yalli/illi (invariável para todos os gêneros e números) é usado em construções clivadas para foco explícito: "shū yalli ṣār?" (o que foi que aconteceu?).
O árabe levantino não possui partículas de tópico como o japonês "は" ou o coreano "은/는" — a ordem das palavras e a entonação cuidam de toda a estrutura informacional.
Compare: o japonês usa partículas dedicadas ("は" para tópico, "が" para sujeito com informação nova). O árabe egípcio também usa deslocação à esquerda com pronomes resuntivos e usa o mesmo pronome relativo "illi". O árabe levantino compartilha essa estratégia, mas usa "yalli" como sua forma preferida.
Registro in árabe levantino setentrional — Que relação social o falante codifica?
Não há distinção pronominal T/V — "inta/inti" é usado para todos. O registro é codificado através de vocabulário, fonologia e títulos honoríficos. Os falantes deslizam ao longo de um contínuo entre o levantino coloquial e o árabe padrão moderno, dependendo da formalidade.
O árabe levantino não tem distinção gramatical T/V como espanhol tú/usted ou francês tu/vous. O mesmo pronome "inta" (m.) / "inti" (f.) é usado com amigos, estranhos e idosos igualmente.
A formalidade é sinalizada por meio de termos de tratamento: "ḥaḍritak" (m.) / "ḥaḍritik" (f.) — literalmente "sua presença" — substitui inta/inti em situações formais. O verbo ainda mantém formas de 2ª pessoa. Outros títulos formais: "ustāz" (Sr./professor), "duktōr" (Dr.).
O principal mecanismo de registro é a diglossia: os falantes alternam entre o levantino coloquial e o árabe padrão moderno dependendo do contexto. Noticiários usam接近 do MSA; a conversa diária usa o coloquial integral; a educação e discursos formais ficam no meio-termo.
Termos de parentesco honoríficos são muito comuns: "yā ʕamm" (lit. "tio" — respeitoso para homens mais velhos), "yā khālti" (lit. "tia" — respeitoso para mulheres mais velhas), "yā akhi" (lit. "irmão" — para pares).
Marcadores fonológicos sinalizam formalidade: pronunciar /q/ como [q] (formal/MSA) vs. [ʔ] (coloquial urbano), usar interdentais /θ, ð/ (formal) vs. /t, s, d, z/ fundidos (coloquial).
Compare: o espanhol tem tú/usted com diferentes terminações verbais, codificando gramaticalmente a formalidade. O japonês tem cinco ou mais níveis de registro com formas verbais inteiramente diferentes. O árabe levantino não tem distinção gramatical de registro — a formalidade é transmitida inteiramente pelo vocabulário, fonologia e títulos honoríficos.
Perguntas frequentes sobre árabe levantino setentrional
O que o prefixo b- faz no árabe levantino?
Como o árabe levantino marca ações contínuas?
O árabe levantino tem caso gramatical?
Existe um 'você' formal no árabe levantino?
Como o aramaico influenciou o árabe levantino?
Fontes sobre o árabe levantino setentrional
As descrições gramaticais desta página se baseiam nas seguintes gramáticas de referência e descritivas publicadas. Os fatos gramaticais em si não estão sujeitos a direitos autorais, mas os pesquisadores que os documentaram merecem ser citados.
- Cowell, Mark W. (2005). A Reference Grammar of Syrian Arabic. Georgetown University Press.
- Brustad, Kristen E. et al. (2004). Al-Kitaab fii Taʕallum al-ʕArabiyya, Part One. Georgetown University Press.
- Liddicoat, Anthony J. & Richard B. Lennane (2011). An Introduction to Syrian Colloquial Arabic. (Dunwoody Press).
- Salameh, Franck & Christo Aoun (2019). "Aspects of Lebanese Arabic Grammar." Journal of Arabic Linguistics.
- Hallman, Peter (2015). "Verb Morphology in Levantine Arabic." In: Ferrando & Sanchez (eds.), Arabic Dialectology. Brill.
- Stowasser, Karl & Moukhtar Ani (2004). A Dictionary of Syrian Arabic: English–Arabic. Georgetown University Press.
- Erwin, Wallace M. (1963). A Short Reference Grammar of Iraqi Arabic. Georgetown University Press. [comparative Levantine notes]